Estudo revela que nossos ancestrais se reproduziram com espécies diferentes
Descoberta foi feita através da análise de genomas de humanos de 30 mil anos atrás
Os
genomas antigos de um Neandertal e de um grupo humano arcaico
diferente, os Denisovans, foram apresentados em uma pesquisa no último
dia 18 de novembro em uma reunião na Royal Society, em Londres.
O estudo sugere que eles resultam do cruzamento entre os membros de
diversos grupos humanos antigos que viviam na Europa e na Ásia há mais
de 30 mil anos, incluindo um ancestral ainda desconhecido da Ásia.
Espécie misteriosa
De acordo com a revista
Nature,
o novo genoma Denisovan indica que esta população enigmática convivia
com as outras. David Reich, um geneticista evolucionário da Escola de
Medicina de Harvard, disse na reunião que eles cruzaram com neandertais e
com os ancestrais das populações humanas que vivem agora na China e em
outras partes do leste da Ásia, além de populações da Oceania.
Local das escavações na caverna de Denisova, na Sibéria Fonte da imagem: Reprodução/Nature
Reich disse que os novos genomas estudados indicam que os Denisovans
cruzaram com outra população extinta de humanos arcaicos que viviam na
Ásia, mais de 30 mil anos atrás, que não é nem humana nem neandertal. É
aí que fica o mistério.
A reunião do Royal Society foi repleta de suposições sobre a
verdadeira identidade dessa população de seres humanos. "Nós não temos a
menor ideia", disse Chris Stringer, um paleontólogo do Museu de
História Natural de Londres, que não estava envolvido no trabalho.
Ele especula que a população poderia estar relacionada com o
Homo heidelbergensis, uma espécie que deixou a África cerca de meio milhão de anos atrás e, mais tarde, deu origem aos Neandertais na Europa.
Diversidade genética
"O que o resultado sugere é que nós observamos um mundo parecido com o
do filme ‘O Senhor dos Anéis’, em que havia muitas populações de
hominídeos diferentes", disse Mark Thomas, geneticista evolutivo da
Universidade de Londres (que também não estava envolvido no estudo),
fazendo uma comparação com a famosa saga do cinema.
O primeiro Neandertal e as sequências do genoma Denisovan
revolucionaram o estudo da antiga história humana, porque eles mostraram
que estes grupos cruzaram com humanos anatomicamente modernos,
contribuindo para a diversidade genética de muitas pessoas vivas hoje.
Todos os seres humanos cuja ascendência se origina fora da África devem
cerca de 2% de seu genoma ao Neandertal.
Além disso, certas populações que vivem na Oceania, como os
aborígenes australianos, têm cerca de 4% do seu DNA resultante de
cruzamentos entre seus antepassados e Denisovans, que foram nomeados
após serem descobertos na caverna nas montanhas Altai, na Sibéria. A
caverna contém restos humanos datados de 30 a 50 mil anos atrás.